O movimento em direção a um transporte mais sustentável ganha força no Brasil. Com o compromisso de reduzir 43% das emissões de gases de efeito estufa até 2030, firmado no Acordo de Paris, o país vê crescer o interesse por soluções ligadas à mobilidade elétrica, um caminho essencial para o futuro da mobilidade urbana.
Mais do que uma exigência ambiental, o tema envolve também questões de saúde pública. De acordo com o WRI Brasil, a poluição atmosférica nas principais regiões metropolitanas está associada a cerca de 20 mil mortes por ano causadas por doenças cardiovasculares e respiratórias. As internações e afastamentos do trabalho decorrentes desses problemas geram um impacto anual estimado em R$ 30 milhões.
Nesse contexto, o setor de transportes é um dos grandes desafios. Embora as metas de descarbonização sejam ambiciosas, a transição para frotas elétricas ainda avança lentamente. Em São Paulo, os novos contratos de concessão do transporte público preveem uma redução de 55% nas emissões de CO₂ e mais de 90% nos poluentes atmosféricos até 2033. Entretanto, segundo dados oficiais, a cidade conta atualmente com apenas 16 ônibus elétricos em operação.
Para impulsionar a eletromobilidade no país, mais de 30 instituições públicas e privadas se uniram para lançar a Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica (PNME). O grupo reúne representantes da indústria, do governo, da sociedade civil e de universidades para construir estratégias conjuntas de desenvolvimento do setor.
A coordenação da iniciativa é realizada pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) e pela GIZ, agência de cooperação técnica do governo alemão. Desde fevereiro, o grupo atua na formulação de um plano nacional para a eletromobilidade, com o objetivo de orientar políticas públicas, investimentos e ações em todo o território brasileiro.
A criação da plataforma representa um marco importante para a mobilidade sustentável no Brasil, sinalizando o início de uma nova etapa de integração entre inovação, tecnologia e compromisso ambiental. A expectativa é que, nos próximos anos, o país avance em infraestrutura, políticas de incentivo e expansão da rede de recarga, preparando o caminho para uma mobilidade mais limpa, eficiente e conectada.


